Descobertas sobre o deus lusitano Endovélico

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Alexandre Gabriel
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Descobertas sobre o deus lusitano Endovélico

Postby Alexandre Gabriel » 10 Dec 2009, 01:45

Há alguns anos atrás, foram descobertas várias estátuas no antigo santuário de S. Miguel da Mota, anteriormente o templo romano de Endovélico.

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Os achados revelaram os exemplares em melhor estado de conservação conhecidos até à data. Estes incluem uma possível representação da divindade (nesta imagem à esquerda), desnudada, com uma capa e um instrumento na mão esquerda, possivelmente uma lança. Incluem igualmente uma "sacerdotiza" com uma oferenda votiva(?), um homem (?) togado, e uma pequena estatueta de um javali. Foram também encontradas 3 novas aras, uma delas com uma denominação de Endovélico única até à data: "Ennouolico" (já era conhecida uma outra variação muito semelhante: "Enobolico"). Nesta mesma ara, a fórmula ritual com que se refere ao deus, "Deo Domino", "deus Senhor", é também inédita.

Neste PDF poderá ser consultado o resultado das mais recentes pesquisas. Porém, apesar da abundância de artefactos, o mistério sobre o deus permanece...
http://www.ipa.min-cultura.pt/pubs/RPA/v6n2/folder/415.pdf
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Lamandil
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Re: Descobertas sobre o deus lusitano Endovélico

Postby Lamandil » 06 Mar 2010, 23:15

Segundo sei, este é um dos que mais se conhecem artefactos.

Parece que o seu culto esta relacionado com a cura. Segundo me disse um colega, muito entendido nestes assuntos, o seu culto dispunha de sacerdotes que exerciam tanto o factor de cura como de advinhação e interpretação de sonhos.

esta bastante localizado na região do alto alentejo, mas bastante implementado e forte apesar disso.

Claudius
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Re: Descobertas sobre o deus lusitano Endovélico

Postby Claudius » 03 Dec 2010, 18:38

Por falar em Endovélico....Alguém aqui "pratica" o culto a antigos Deuses Lusitanos?

Tautalos
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Re: Descobertas sobre o deus lusitano Endovélico

Postby Tautalos » 03 Dec 2010, 22:20

Eu sim - Endovélico, que não é exactamente lusitano, e também Bandia, Trebaruna, Reve, Neton (eventualmente celta comum à Ibéria e à Irlanda), Crouga, Runesus Cesius (Alentejo celta), Nábia, Ataegina, entre Outros...

Claudius
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Re: Descobertas sobre o deus lusitano Endovélico

Postby Claudius » 04 Dec 2010, 01:11

Interessante. Não conheço ninguém que fale muito sobre os Deuses Lusitanos, ou pelo menos Deuses ligados ao culto Ibérico.
Conhece o livro "Deuses e Rituais Iniciáticos da Antiga Lusitânia" de G. de Lascariz? Se sim, aconselha-me no sentido de conhecer melhor os Deuses que foram motivo de culto antigamente?

Tautalos
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Re: Descobertas sobre o deus lusitano Endovélico

Postby Tautalos » 13 Dec 2010, 20:30

O livro tem algum valor, mas tem também de ser lido cum granu salis... faz generalizações abusivas, a meu ver.

Quando vi à venda a obra «Deuses e Rituais Iniciáticos da Antiga Lusitânia», da autoria de Gilberto Lascariz, achei de imediato bom de mais para ser verdade o que o título prometia e, ao folheá-lo, e sobretudo ao ler o índice, confirmei, de momento, o meu cepticismo pessimista. Tal descrença foi reforçada pelo facto de saber que Lascariz, com quem tenho relação assaz cordial, é wiccan, e os wiccans têm tendência a reduzir tudo o que é religião antiga às suas crenças new age, matriarcais e «naturalistas», sempre centradas na díade matriarcal Deusa-Mãe/Deus Consorte e Cornudo (poupem-se os trocadilhos sobre «ter sorte» e ser cornudo), ou seja, para eles o grande centro do culto e da magia é a Deusa-Mãe e o Seu marido é definido em função Dela.

Mais tarde, uma vez que constatei que vários camaradas nacionalistas tinham adquirido a obra, e como de qualquer modo até tinha e tenho Lascariz em alta consideração no campo intelectual, independentemente dos nossos caminhos divergirem, lá acabei por adquirir o livro e dar-lhe valente vista de olhos de uma ponta à outra, que é como quem diz, lê-lo na íntegra.

E, de facto, o conteúdo é wiccano, mesmo que não tanto como parecia. E não é particularmente primário, valha isso.

Pode dizer-se que sou suspeito na apreciação do texto, visto que a minha abordagem é por vezes diametralmente oposta à de Lascariz, dentro do Paganismo. O autor é todo pelo esoterismo, eu pelo exoterismo; tal como Evola, proclama pedantemente (sem ofensa) a superioridade da Magia sobre a Religião, enquanto eu, pessoalmente, nada tenho com Magia e apenas com Religião; liga-se por inteiro às forças telúricas, ctónicas, ao passo que eu me oriento para a religiosidade urânica, celestial.

O aspecto etno-religioso desempenha aqui papel crucial, como ele próprio revela, e com muita clareza: ao dizer expressamente que a chegada dos Indo-Europeus à Europa vem desviar o homem do culto ao telúrico, predominantemente feminino, para um campo mais «superficial» (sic) do culto aos Deuses masculinos do Céu, está a separar inequivocamente as águas e, note-se, a enfileirar-se clássica e abertamente no Neo-Paganismo que tem dominado o Ocidente desde pelo menos os anos sessenta, senão antes: o Paganismo do telúrico, do ctónico, da ligação às profundezas, que é só desse Paganismo que se ouve o grosso da juventude a falar, uma espiritualidade próxima do espírito hippy. Raramente se ouve um destes jovens neo-pagãos muito new age a falar de Zeus, de Marte, de Júpiter, de Taranis, interessam-se apenas pela «Grande Mãe», por Pã, por Cernunnos... abra-se uma excepção, numericamente relevante, para os asatruars, os que prestam culto aos Deuses nórdicos, que esses sim, têm frequentemente (embora nem sempre, de maneira nenhuma) como referências religiosas os grandes poderes do Céu Fulgurante, tais como Thor e Odin, e também Tyr, mesmo que nalguns casos não haja neles consciência de que nisso estão um pouco à parte dos outros neo-pagãos, incluindo muitos dos celtistas, que parecem esquecer demasiadas vezes que entre os Celtas o culto dos Deuses guerreiros e urânicos é preponderante, que César fala de apenas uma Deusa celta, e nem sequer Lhe chama «Deusa-Mãe», ao passo que fala de quatro Deuses celtas, considerando um Deles mais adorado do que todos os outros, esquecem-se também, estes jovens, do testemunho de Lucano, que refere três Deuses celtas principais, esquecem-se também, estes jovens, que a própria palavra celta que designa o Sagrado, «Nem», significa também «Céu».
Noutra grande área do mundo europeu actual parece suceder o contrário: na Grécia, na Arménia, na Rússia, na Ucrânia, no Báltico, o centro da adoração está mais para o lado dos Deuses celestiais, solares e guerreiros, embora também aí o culto matriarcal seja relevante. De qualquer modo, tenho confirmado, ao longo dos anos, o que me lembro de ter lido aqui:
enquanto o Paganismo no Oeste é sobretudo Magia, no Leste é em primeiro lugar Religião.
Lembro-me também de ter lido, mas a respeito do contexto da Antiga Grécia, que os cultos iniciáticos, mistéricos, que Lascariz e muitos pagãos ocidentais costumam considerar como o vértice superior da espiritualidade antiga, eram próprios dos estratos étnicos pré-arianos, pré-indo-europeus, ao passo que os cultos trazidos pelos Indo-Europeus consistiam em rito simples, públicos, diurnos, e pouco mais. Gostei todavia de saber, pelo que diz Lascariz, que, na Grécia, o visco branco, colhido nos carvalhos, era usado no contexto cultual de Zeus para fins de carácter extático. De qualquer modo, pode dizer-se que os Mistérios das religiões mediterrânicas e orientais são intrincados e delicados como a seda chinesa, ao passo que a religiosidade dos antigos Indo-Europeus é límpida e simples como o diamante, ou como o aço. Não vejo necessidade de considerar que uma das formas de espiritualidade seja superior ou mais verdadeira do que a outra, e creio que Lascariz, e muitos outros, se equivocam ao fazê-lo, implícita ou explicitamente. Mas, em tendo de escolher apenas umas das vias - se essa exclusividade existisse ou fosse obrigatória... coisa que em princípio não era, no Mundo Antigo - não teria dúvidas.

A respeito do culto a Endovélico, ao Qual Lascariz dedica um capítulo inteiro, há por ali muita informação, e boa em grande parte, mas também alguma confusão. Novamente (lembro-me de um ritual que conduziu na floresta lisboeta de Monsanto no qual invocou um «Deus Sol Endovelicus»...), Lascariz dá por adquirido, constantemente, que Endovélico teria um carácter ou pelo menos uma faceta solar, coisa que não é de modo algum sequer sugerida em qualquer dos vestígios escritos ou aras dedicadas ao Deus. Sucede simplesmente que os wiccans agem constantemente como Procusta, tentando conformar ou moldar tudo o que é antigo ao seu esquema de Deusa-Mãe/Deus-Consorte-Cornudo-e/ou-Solar e, por conseguinte, dava-lhes jeito que Endovélico fosse solar. É aliás por isso que a Federação Pagã conduz uma procissão e um festival no santuário de Endovélico, em Terena, aquando do... solstício de Verão. Lascariz parece ridicularizar esta prática, mas porque não lhe agrada que o Alandroal seja transformado na Fátima dos pagãos portugueses. Ora eu esta ideia até acho boa, ou razoável, mas não nesta data, e sim na noite de 31 de Outubro para o Primeiro de Novembro, data da celebração céltica dos mortos - embora não saibamos nada sobre quaisquer datas sagradas que o culto de Endovélico pudesse ter, sabemos todavia que o Deus tem ligados a si o Mundo Inferior, Infernal (não no sentido cristão, isto é, não maligno, mas sim das profundezas) dos Mortos, e também da Saúde.

Lascariz equivoca-se a seguir, creio, quando atribui aos Romanos uma desvirtuação do culto de Endovélico (o velho preconceito anti-romano, muito divulgado por cá...), ao garantir que foram os colonizadores vindos do Lácio que Lhe quiseram dar uma conotação celeste. Ora a verdade, evidentíssima, é que tudo o que temos escrito sobre o culto de Endovélico está em Latim, foi redigido sob dominação romana - e aí não há qualquer vestígio, por ínfimo que seja, de referências de carácter celeste ou urânico. Aliás, devemos apenas e exclusivamente à escrita latina encontrada no santuário o nosso conhecimento da natureza ctónica e infernal de Endovélico.
Há também no seu livro algo que me parece francamente estranho, que é a ideia de que um Paganismo Étnico envolve necessariamente a crença ou o culto de dois Endovélicos, um celestial e outro infernal, só porque nalgumas inscrições o teónimo aparece escrito de forma diferente, entre Enobólico e Andovélico, etc.. Era preciso, antes de mais nada, demonstrar que algum Andovélico, Enobólico, ou qualquer outra variante do teónimo, surgia em inscrições cujos atributos fossem manifestamente não infernais, o que, pelo que vi, não acontece de todo. E o que Frasier diz no «Ramo Dourado», obra clássica da Antropologia, não é, aqui, nem tido nem achado na determinação de algo que de modo algum é fornecido pelas fontes do estudo de Endovélico. Os reconstrucionistas, pagãos étnicos, actuam com base no que encontram no terreno, em primeiro lugar, e só perante lacunas é que vão buscar, ou não, material «emprestado» de outras religiões, mas não de quaisquer religiões, e sim de religiões etnicamente aparentadas.

É também aqui que o texto de Lascariz se mostra demasiado aventuroso, ou vago, na sua constante referência a elementos bíblicos, tomados como símbolos iniciáticos, como que comuns a toda a Humanidade. Baseia-se esta actuação na crença, típica dos tradicionalistas do género de Evola e Guénon, de que a Tradição é una. Talvez isso o tenha levado, a Lascariz, ao erro de dizer, na página 117, que «nas tradições» a proibição de comer carne de porco se tornou numa prescrição médica e profana, quando esta proibição só existe no mundo semita, de modo algum no mundo indo-europeu, antes pelo contrário, sabendo-se como se sabe a relevância central, em termos gastronómicos, que tinha e tem a carne suína no contexto céltico.

Por falar em aventuroso e vago, de onde será que Lascariz tirou a associação do galo a Endovélico? Nada disso existe, tanto quanto me lembre, nem nas epigrafia nem em quaisquer outros vestígios arqueológicos do culto. Só mesmo nas experiências místicas de alguns aventureiros do espírito contemporâneos, que dizem tê-Lo visto, a Endovélico, com cabeça de galo, conforme reportagem do Expresso, citada, aliás, no livro de Lascariz.

No que toca ao exame do santuário de Endovélico, Lascariz aponta inteligentemente aspectos importantes, nomeadamente o da orientação para sudoeste do altar de Endovélico no alegado santuário da Rocha da Mina. Afirma Lascariz que tal se deve ao facto de no Samain (noite de 31 de Outubro para o Primeiro de Novembro), o Sol se pôr a sudoeste. A este respeito, é pertinente lembrar que, enquanto os altares cristãos estão virados para o nascer do Sol, os pagãos gregos estavam voltados para o pôr do Sol - nos templos gregos, entra-se pelo leste, mas o altar está virado para oeste, enquanto os altares das igrejas ortodoxas cristãs está também virado para leste. (Os templos de Ártemis e de Apolo, entretanto, estavam orientados na direcção Sul/Norte: entrada a Sul, altar virado para Norte, o que pode ou não estar relacionado com os atributos hiperbóreos de Apolo.)

O que escreve sobre o culto de Ataegina, entretanto, está mais sólido, e é particularmente interessante na parte em que refere a Senhora Velada.

Enfim, uma vez que o Paganismo é, ou também é, uma religião de poetas, como bem diz Lascariz, ficam aqui algumas das passagens mais inspiradoras do seu livro:

«Talvez tenha chegado agora o momento histórico para fazer descer a consciência à nossa Memória Ancestral. Descobrir e conhecer como os nossos Antepassados se relacionavam com os Mistérios é, assim, essencal para que nasça um Novo Homem Pagão das ruínas da civilização cristã, que em essência nunca foi europeia mas o espinho de uma religião estrangeira. Dessa forma, o empenho heróico do Imperador Juliano não terá ficado perdido, nem nós perdidos de nós mesmos. Do solo mãe desta Europa de novo Pagã, nascida de Génios e Ancestrais, Deuses e Heróis, poderemos viver de novo quem realmente somos e cumprir o Wyrd que nos está destinado.»

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«Mas o que temos diante de nós em Panóias é, no entanto, suficientemente eloquente e grandioso para imaginarmos como seria todo o complexo religioso com os rochedos restantes, à luz prateada do Inverno e sob o recorte fantasmagórico das neblinas, como muitas vezes encontrei este lugar santo nas inúmeras vezes a que lá me desloquei.»

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«.»Numa época como a nossa, com o peso amorfo da nossa cultura racional e a letargia espiritual herdada da civilização ateísta e tecnológica em que vivemos, é muito difícil percebermos como a relação com o Mundo após a Morte, tal como era insistentemente invocada no Mundo Medieval e na Antiguidade Pagã, nos pode transformar. Para nós, esse mundo é um padrão cultural mórbido e limitativo. Viver tornou-se uma forma lúdica e acéfala de existir. Não porque a alegria e o prazer sejam fúteis em si, mas porque já não nos revelam a sua dimensão religiosa e ontológica. A folia e o erotismo deixaram de ser uma teofania. (...) Em Roma, o Mundus Cereris, um buraco coberto por uma pedra, a Pedra dos Manes (Lapis Manalis), guardava sob a tutela de Ceres, a Mãe da Fertilidade, a entrada para o mundo subterrâneo de Hades. Uma vez por ano, essa pedra era levantada e a fossa conservada aberta durante três dias. Por ela, os mortos voltavam para se encontrarem com os vivos. As riquezas que se tinham recebido de Pluto (o Rico), outro nome de Hades, e dos Mortos Abençoados, eram-Lhes devolvidas nesses dias, sob a forma de abundantes libações, frutos e cereais. Perdemos a consciência do significado desta relação e reconhecimento dos nossos Mortos. Porém, deles vinham as riquezas, os bons conselhos e a sabedoria. Esse era também o Mistério da Antiga Iniciação Pagã. Esse Mistério, asseguro ao leitor, embora antigo, não está ainda perdido. Ataecina é sem dúvida um dos nomes que na Bética e na Lusitânia faz, através do sopro melódico das suas várias fonéticas e grafias, lembrar esse Mistério.»

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Re: Descobertas sobre o deus lusitano Endovélico

Postby Alexandre Gabriel » 14 Dec 2010, 20:18

Saudações a todos!

O livro "Deuses e Rituais Iniciáticos da Antiga Lusitânia" é uma das poucas obras que exploram e estudam as antigas divindades lusitanas, tal como Endovélico. De facto, trata-se de um deus cujos vestígios chegaram até nós somente pelas aras romanas. Poderia por isso pensar-se que seria um deus "romano", ou importado pelos romanos, porém, as aras romanas indicam-se dezenas de designações diferentes para o deus, o que poderá bem indiciar uma origem de facto lusitana, pré-romana, onde a escrita não era conhecida ou, pelo menos, generalizada.

Ainda assim, apesar dos vestígios encontrados, não se sabe muito acerca de Endovélico, para além do seu carácter "medicinal", tendo sido muitas vezes associado a Asclepius. O livro de Gilberto de Lascariz especula, lança propostas de interpretação e por isso é ousado. Porém, tais teorias e propostas de interpretação partem de sólidas fontes literárias e arqueológicas, e, por outro lado, de intuições do autor, se assim podemos dizer, resultantes da sua experiência pessoal. Quando se aborda um tema como o misticismo e a religiosidade dos povos antigos, sobre os quais os registos que nos chegaram são provenientes dos povos invasores, torna-se necessário "ir para além" do óbvio. Porém, aquilo que é apresentado na obra não é algo dogmático ou doutrinário, muito pelo contrário.

O autor esteve de facto ligado ao Wicca, porém, se acompanhar de perto o seu percurso (bem como a sua obra "Ritos e Mistérios Secretos do Wicca"), verá que este se encontra num extremo oposto ao "new-age", ou seja, não cedendo a facilitismos típicos de generalizações demasiado simplistas. Para além disso, Gilberto de Lascariz já não se considera Wiccan. Aliás, qualquer rótulo que se coloque em alguém está apenas a limitar a pessoa. Rotular, neste caso, é também generalizar.

Acima de tudo, o mais importante é respeitar os vários pontos de vista diferentes de cada um, pois num campo como o do esoterismo/exoterismo, doutrinar e dogmatizar são uma violência para a liberdade de consciência de cada um.
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Re: Descobertas sobre o deus lusitano Endovélico

Postby Moriko » 11 Oct 2013, 16:30

Existem alguns livros mais académicos do que místicos que falam sobre a mitologia e religião dos celtiberos

Sur les religions de la Lusitanie : Abrégé d'un mémoire destiné à la 10. session du Congrès international des orientalistes (1892) - mais info: http://archive.org/details/surlesreligionsd00vasc

e

La religion de los celtiberos y su organizacion politica y civil, por Joaquin Costa.

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Re: Descobertas sobre o deus lusitano Endovélico

Postby CarlaSantos » 10 Jan 2015, 23:29

Tenho estado ausente há alguns meses, e este tema de facto é muito interessante para mim. Tenho andado a pesquisar há algum tempo, questionando aqui e ali e nunca encontrei grande material. Estou aqui eufórica a ler-vos e tenho de consultar as vossas referências.

Muito grata pelas partilhas _/\_
Que o Sol encha de coragem o teu coração e que a Lua te guie os passos firmes na escuridão


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